QUEM NÃO TEM PADRINHO…

                                                                         Heródoto Barbeiro

                                                  Uma das coisas mais incômodas para o exercício da cidadania é saber que a Lei de Gérson está mais viva do que nunca. O levar vantagem, não importa de que forma, é o que importa, ainda que a maioria seja excluída e parecer que existem cidadãos de primeira e de segunda categoria. O de segunda é o que paga os impostos, presta serviços públicos, acata o cumprimento das leis, dá o exemplo de convivência social e está disposto a colaborar no que pode para melhorar a sociedade. Os de primeira categoria são os que estão acima do bem do mal e estão sempre à espreita de obter uma oportunidade. São os ” vivos” aqueles que sempre se saem bem e não são submetidos às exigências dos demais cidadão. Esta doença está longe de ser suprimida da sociedade brasileira por uma série de atributos históricos e por que os de segunda ainda não conseguiram se organizar para exigir que políticas públicas sejam cumpridas.

                                                 Nem bem saímos das eleições municipais e já temos um exemplo de vereador. A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação, um projeto isenta os advogados de cumprir a obrigatoriedade do rodízio de carros. Os médicos já tem esse privilégio. Alega o vereador proponente que os advogados precisam usar seus carros particulares para urgências diárias e por isso não podem usar nenhum outro tipo de transporte, Nem táxi, Começa que nem todos os os médicos prestam serviços de urgência ainda assim estão isentos. Porém os enfermeiros, dentistas, eletricistas, desentupidores…. Já pensou a urgência do desentupimento de uma rede de esgoto, por exemplo em um prédio público ? Quem nos salvaria de uma enchente de dejetos mal cheiros? E por aí vai, mas até agora o que se quer é que os advogados sejam beneficiados.

                                               O jurista DALMO DALLARI, entrevistado por mim, mostrou sua indignação e qualificou o projeto de imoral e antiético. Outros advogados ilustres e comprometidos com o ideal de cidadania também devem ter o mesmo sentimento, não há dúvida. Mas e a OAB seção São Paulo? Até este momento não consegui entrevistar nem o presidente D´Urso nem alguém da diretoria para que declarem o que pensam dessa patifaria. Há esperanças que a OAB engajada em movimentos da mais alta relevância saia do mutismo e venha a público e diga claramente o que acha desse projeto. Em tempo, sugiro que mande um e-mail para o www.camara.sp.gov.br e diga ao seu vereador, que custa cento e cinco mil reais mensais, o que você, cidadão de segunda categoria, acha disso.    

Heródoto Barbeiro -jornalista TV Cultura/CBN(www.herodoto.com.br

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3 Respostas to “QUEM NÃO TEM PADRINHO…”

  1. eduardo - trombudo central Says:

    é Heródoto, a velha lei de gérson!
    engraçado que antigamente até os corruptos eram éticos, talvez pelo medo de serem descobertos etc,

  2. eduardo - trombudo central Says:

    (cont)
    hoje em dia, os corruptos não tem a menor vergonha de serem,que saudades do rouba mas faz!
    Eles roubam e fazem também, porém fazem por eles e pelos seus, e só voltam a lembrar dos cidadãos quando é tempo de eleição, tempo em que o eleitor vira cidadão.

  3. Lizandre Says:

    Sou cidadã de segunda (!), cumpro com meus deveres, pago minhas contas. Sou médica, tenho direito de “furar” o rodízio mas nem ao menos procurei por este direito, no dia em que não posso usar meu carro, uso transporte público… pois entendo como um dever de cidadã paulistana.

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