O mundo se surpreendeu quando o Congresso dos Estados Unidos votou contra o plano apresentado pelo governo Busch para tentar tirar do atoleiro o mundo financeiro afundado até o pescoço em negócios duvidosos e altamente especulativos. É difícil na América Latina, e no Brasil, entender como o poder legislativo se contrapõe ao poder executivo. Aqui se está acostumado a manter as folgadas ” maioria parlamentar ” e aprovar tudo o que o prefeito, governador ou presidente querem. Basta uma aceno do líder da maioria e tudo resolvido. Os parlamentares mais inflexíveis são amolecidos com o ” toma cá, dá lá ” e assim caminha a democracia; Não há resistência uma vez que a maioria vive das benesses do executivo e ninguém é louco de se contrapor e se arriscar a não se reeleger na eleição seguinte. Aqui o político pode barganhar o que quiser, ninguém cobra, nem reclama, apenas um ou outro manda um e-mail para ser respondido pelo assessor do assessor e tudo se acomoda.
Nos Estados Unidos o sistema de escolha do parlamentar é distrital, isto quer dizer que o eleitor conhece pessoalmente o deputado federal e o senador. Encontra com ele nas festas, no supermercado, nos churrascos, na igreja, na escola, enfim, tem contato direto. Tem o e-mail e o telefone do gabinete e não dá sossego. Pega no pé, exige comprometimento e se o parlamentar quebrar a palavra está perdido. Os cidadãos fazem publicidade contra, protestam, juntam pessoas para fazer campanha contra e é possível que ele não se eleja nunca mais. O eleitor americano não admite que o seu deputado ou senador minta. Ele vota de acordo com o seu eleitorado, não tem um cheque em branco para fazer o que bem entende como Brasil. Tem que prestar contas. E o contribuinte não quer permitir que o tesouro empreste 700 bilhões de dólares para salvar os ” gatos gordos de Wall Street “. É o seu dinheiro recolhido através dos impostos que ele toma conta e quer saber onde vai e quando volta. Imagine se não fazermos a mesma coisa.
Bush foi derrotado pelo cidadão. Este pressionou o deputado republicano para dizer não. O presidente não tem a importância que tem na América Latina como dela usufruem Lula, Chaves, Evo, Cristina, Bachelet, Lugo, Correa e outros. O sistema americano funciona de baixo para cima e o poder é dividido entre legislativo, executivo e judiciário. Quando da primeira votação do pacote uma verdadeira avalanche de telefonemas, cartas e e-mails soterrou o membro da Câmara dos Representantes e por isso o pacote deu errado. Foi preciso negociar e deixar bem claro para o cidadão/eleitor/contribuinte que ele não iria pagar pelos erros dos especuladores de Wall Street, que segundo Michael Moore já comemorava com champanhe o pacotaço de Bush et caterva.
Quando é que vamos cobrar? Ou investigar como gastam o dinheiro dos nossos impostos? Ou como enchem os gabinetes com parentes, amigos namoradas, cabos eleitorais e cupinchas de toda espécie? É verdade que a democracia aqui é incipiente, mas todo mundo sabe que democracia não cai do céu, é preciso exercitar e uma das formas é dar é dar o troco e trocar quem não está lá para defender o direito público.
Heródoto Barbeiro -jornalista TV Cultura/CBN www.herodoto.com.br
outubro 5, 2008 às 11:16 pm
Heródoto, teria como aumentar as letras?
Abraço.
outubro 6, 2008 às 7:48 am
[...] O Heródoto Barbeiro da CBN comparou o trabalho do nosso legislativo com o legislativo norte america…, neste trecho ele comenta sobre a força do eleitor sobre seu respresentante no sistema distrital: [...]
outubro 7, 2008 às 2:45 pm
Heródoto.
1- Não seria XAMPU?
2- Sugestão: Mudar seu nome pra Heróidoto, porque pra ser Corinthiano, né?
Muito bom o jornal da CBN, ouço todos os dias!
obrigado
José Roberto Askinis
novembro 5, 2008 às 2:47 pm
E deu Corinthians novamente. Só que agora nos E.U.A., afinal de contas, o Obama é coringão!!!!